Indo embora seu amor na quarta feira, pôs-se a chorar, o amante. Sentia pulsar vermelho sangue, como não se via em rosas, todas já muchas. Ia o amor pra mundo distantes, pra onde não passava o tempo de a luz percorrer distâncias. E ele, sem poder seguir a mesma estrada, dedicou-se ao amor dos últimos dias.
Guardadas as lágrimas para o momento do adeus, foi em Casa de Lembranças tentando achar aquilo que lhes fizesse lembrar um do outro, como em memória de um pássaro que voa pólos norte e sul sem esquecer o caminho e seus detalhes. Asas, porém, ele não tinha.
Educada moça lhe atendeu, e ele escolheu, dentre muitas, duas peças raras. Como se fosse uma o espelho da outra, mais que o Sol e a Lua se unindo em beijos, mais que rio e mar, se encontrando profundos.
Em pequenas letras não escreveu seu nome, nem de quem amava. Marcou com um beijo, selou com carinhos, e em bela caixinha as recolheu.
Já nasciam novamente as flores, já cantavam afinados os pássaros. Recuado como um beija-flor e chegada a hora da partida, sozinho e cheirando as flores que de suas mãos pareciam brotar, esperava ele por seu amor bastante. Brilhando o sorriso, estava feito estrela.
E no momento do último toque, pétalas de rosas brancas se espalharam pelo chão, tão forte era o abraço e entrelaços das mãos. Beijados os lábios, abriu, ele, a pequenina caixa e de lá tirou dois corações de fino metal, pendurados e unidos eternos por uma fina e delicada corrente.
Sem que houvesse tempo de se ouvir nada, e entregando as duas peças, disse ao amor, o amante: "Esse é o seu coração. Dele cuide bem, leve consigo e de mim, sempre se lembre. Este aqui, é o meu. Guarde-o também, pois levará consigo sempre. Juntos, pulsamos, nós, como um só".
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