Não há nada de novo em minhas palavras. Sinto um chão enorme em baixo dos meu pés. Vejo uma estrada longa, sem divisões óbvias, sem começos, sem caminhos sinuosos.
Não há nada de novo no vento. Não há carta solta que chegue a mim. As vozes estão mudas e estações são as mesmas.
Não há nada de novo nos minutos a sós. Na eterna primavera, as lágrimas só caem do meu olho direito, lado oposto ao coração. Sob pequena e doce gota d'água da chuva, me molho em águas que já caíram.
Não há nada de novo no tempo, as folhas são as mesmas, as rosas que brotaram em preces ao sol são as únicas.
Há tudo de novo em mim. Há o que reconstrói a estrada, que dá cor às placas apagadas, que dão direção ao movimento. Há em mim o que não há no vento. Há uma brisa morna de verão, que vem do mar e molha a terra seca. Há em mim um imenso lenço, apara a chuva que do meu olho escapa. Há em mim o que é novo. E há também o que é mais.
Mais que a distância da estrada: o tempo. Mais que o vento e a brisa: o mar inteiro. Mais que as lágrimas partidas: um completo coração.
O tempo mudou o inverno. O vento parou na primavera. As lágrimas secarão quando chegar o verão. Só as folhas de outono não caem em dezembro. O que é novo em mim, veio, ficou, inovará!
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Poliamores
Tenho em meu coração todos os batimentos cabíveis. Cabem nele todos os amores possíveis. Cambem, também, os impossíveis.
Meu coração não mais se divide. São somados pedaços espalhados, são colados sentimentos partidos.
Seja, coração, o lugar de todos os afetos, de os todos os sonhos!
Seja, eu, o amado e o que ama.
Seja, eu, a soma, e tu, o universo!
Seja, eu, a busca, e tu, a esperança!
Tenho em mim todos os amores que amo, e que me tem por inteiro, sem divisões. A cada soma que mereço eu cresço, e me torno tão maior quanto se precise, pra entregar meu coração por inteiro.
Este sou eu: nu no vasto mundo, amando muitos por igual.
Permito-me amar sem barreiras. Dedico-me ao mar, sem fronteiras.
Não há o que me prenda a lugar algum, pois o que prende é de metal ferroso.
Vermelho coração só me libertará.
Meu coração não mais se divide. São somados pedaços espalhados, são colados sentimentos partidos.
Seja, coração, o lugar de todos os afetos, de os todos os sonhos!
Seja, eu, o amado e o que ama.
Seja, eu, a soma, e tu, o universo!
Seja, eu, a busca, e tu, a esperança!
Tenho em mim todos os amores que amo, e que me tem por inteiro, sem divisões. A cada soma que mereço eu cresço, e me torno tão maior quanto se precise, pra entregar meu coração por inteiro.
Este sou eu: nu no vasto mundo, amando muitos por igual.
Permito-me amar sem barreiras. Dedico-me ao mar, sem fronteiras.
Não há o que me prenda a lugar algum, pois o que prende é de metal ferroso.
Vermelho coração só me libertará.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Voltei, volta, voltarás
Eu que fui, voltei.
Voltei descobrindo um pouco mais da fé. Um pouco mais dos deuses e dos homens. Tudo, tudo é incrível. Ouvi falar de coisas mágicas, senti um vento ventar sorrindo. Vivi momentos de ficar em pé sobre pedacinhos de nuvens formadas com gotas d'água que transpiravam de beijos molhados. Soube de mundos distantes, de pessoas maiores que gigantes. Ouvi gritos que lembravam matilha. Senti minhas lágrimas secarem sozinhas, e formarem pequenas nuvens, pequenos chuviscos.
Outros tantos ficaram.
Ouviram profetas redigirem novamente a esperança. Viram o solo encostar no céu, e fazer germinar pequeno e bastante pé de feijão. Sentiram a água gelada bebida, como em uma cachoeira que descobriu o sol há poucos instantes somente.
Outros se foram.
Para lugares no infinito, para águas mais mornas, para brancos fragmentados em cores mais vivas. Estes sentiram os dedos dedilharem pianos de calda, caldas molharem doces, doces amores se aquecerem no frio, frio e calor sublimados no tempo.
Bom mesmo é estar de volta, e sentir os braços de quem nos abraça! É bom estar de volta, e sentir a saudade em ambas portas baterem uníssonas. É bom estar de volta e sentir bater o coração somando mil amores.
Um que foi, voltou. Outros tantos ficaram. Outros foram e, quem sabe, voltarão.
Voltei descobrindo um pouco mais da fé. Um pouco mais dos deuses e dos homens. Tudo, tudo é incrível. Ouvi falar de coisas mágicas, senti um vento ventar sorrindo. Vivi momentos de ficar em pé sobre pedacinhos de nuvens formadas com gotas d'água que transpiravam de beijos molhados. Soube de mundos distantes, de pessoas maiores que gigantes. Ouvi gritos que lembravam matilha. Senti minhas lágrimas secarem sozinhas, e formarem pequenas nuvens, pequenos chuviscos.
Outros tantos ficaram.
Ouviram profetas redigirem novamente a esperança. Viram o solo encostar no céu, e fazer germinar pequeno e bastante pé de feijão. Sentiram a água gelada bebida, como em uma cachoeira que descobriu o sol há poucos instantes somente.
Outros se foram.
Para lugares no infinito, para águas mais mornas, para brancos fragmentados em cores mais vivas. Estes sentiram os dedos dedilharem pianos de calda, caldas molharem doces, doces amores se aquecerem no frio, frio e calor sublimados no tempo.
Bom mesmo é estar de volta, e sentir os braços de quem nos abraça! É bom estar de volta, e sentir a saudade em ambas portas baterem uníssonas. É bom estar de volta e sentir bater o coração somando mil amores.
Um que foi, voltou. Outros tantos ficaram. Outros foram e, quem sabe, voltarão.
domingo, 3 de julho de 2011
O tempo passou
E voltaram as lembranças
Que inquietam a alma
E trazem de volta a esperança.
O amor se fez amigo,
E um beijo apaixonante
Disse ao tempo que parasse
Que inquietam a alma
E trazem de volta a esperança.
O amor se fez amigo,
E um beijo apaixonante
Disse ao tempo que parasse
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Vá, saudade, vá
Com saudades estava de minhas palavras. Palavras que são minhas, por um momento apenas. As palavras são um pombo branco, e eu, o mágico, as liberto de minha cartola para o primeiro vôo.
Quando eu escrevo, sinto-me uma transmutação, uma transmissão de desejos e de sonhos. Sinto-me como uma cortina, e sinto o amor como o próprio vento.
Escrita a saudade, ela quase se vai. Porém, com saudades estou, ainda, dos meus desenhos, de desenhar. De imaginar mundos só meus, e que em preto pitam o branco papel. A vida, em escala de cinza, reclama um arco-íris, o qual imagino também.
Cores escolhidas, papel pintado. Saudade chora. O vento carrega o vapor do amor, que se condensa em gelada superfície. É o calor que se transporta. Coração frio, quentes vapores. Choques térmicos, lágrimas derramadas que mancham a pintura do papel.
Preto e branco, voltou a ser. O tempo tratou de levar as cores. Quentes e frias. Não levou consigo, porém, a saudade.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
A Curiosidade só matou o gato
Triste latido se ouvia quando a porta da madrugada se abria, e aos poucos, iam se apagando as luzes da triste cidade.
Lata reviradas, latidos bastantes. À luz da lua, firmavam-se os olhos sob a chuva que caía triste. Em casa de remédios fora procurar o fim de seu tormento, que ouvira rumores do feito de um gato.
Desgostoso da vida, aquele sabido cachorro, passou dias a procurar, com seu olfato invejável, o cheiro de tão precioso veneno, com o qual se matara seu amigo, o gato.
Mas não achou, porém, pois não tem cheiro a Curiosidade. Só restava agora esperar que tempo lhe fechasse os olhos.
Triste viralata. Late só, a meia noite.
Lata reviradas, latidos bastantes. À luz da lua, firmavam-se os olhos sob a chuva que caía triste. Em casa de remédios fora procurar o fim de seu tormento, que ouvira rumores do feito de um gato.
Desgostoso da vida, aquele sabido cachorro, passou dias a procurar, com seu olfato invejável, o cheiro de tão precioso veneno, com o qual se matara seu amigo, o gato.
Mas não achou, porém, pois não tem cheiro a Curiosidade. Só restava agora esperar que tempo lhe fechasse os olhos.
Triste viralata. Late só, a meia noite.
terça-feira, 14 de junho de 2011
De tudo, cansei um pouco
Não sei se o velho sou eu, ou se é o mundo.
Me canso das canções e dos ventos.
Me canso da rotação do planeta, que egoísta, gira em torno de seu próprio eixo.
Me cansei dos rumores, das promessas, dos profetas.
Manhãs de domingo sem brisa, areias molhadas, mas quentes. As praias, cansei de olhar, e procurar curvas na linha do horizonte. Tardes frias, livros abertos. Páginas folhedas pelo vento, somente. Noites silenciosas, músicas interrompidas, luzes acesas e portas fechadas. Ponho-me a dormir sonos crus, pois cansei-me também de sonhar. Como viver, se de tudo, me canso um pouco?
De repente, acorda a vida na madrugada. Sorte a minha: cansei-me de me cansar.
Me canso das canções e dos ventos.
Me canso da rotação do planeta, que egoísta, gira em torno de seu próprio eixo.
Me cansei dos rumores, das promessas, dos profetas.
Manhãs de domingo sem brisa, areias molhadas, mas quentes. As praias, cansei de olhar, e procurar curvas na linha do horizonte. Tardes frias, livros abertos. Páginas folhedas pelo vento, somente. Noites silenciosas, músicas interrompidas, luzes acesas e portas fechadas. Ponho-me a dormir sonos crus, pois cansei-me também de sonhar. Como viver, se de tudo, me canso um pouco?
De repente, acorda a vida na madrugada. Sorte a minha: cansei-me de me cansar.
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